PÁGINA INICIAL DICIONÁRIO          LITERATURA                 QUEM SOMOS              FALE CONOSCO                    100 ERROS               SIMULADOS

Concordância Verbal

Estudar a concordância verbal é, basicamente, estudar o sujeito, pois é com este que o verbo concorda. Concordar significa que o termo
subordinado (o verbo) ajuste suas flexões de número e pessoa ao número de pessoa do termo subordinante (o sujeito).

Sujeito simples

Os meninos brincam.

cujo núcleo é a palavra meninos, pois eles é que brincam.

por isso o verbo fica no plural.

Até aí tudo bem. O problema surge, quando o sujeito é uma expressão complexa,  ou uma palavra que suscite dúvidas.

Sujeito Coletivo

Quando o sujeito for um substantivo coletivo, como, por exemplo, bando, multidão, trança, cacho, etc., ou uma palavra no singular que indique
diversos elementos, como, por exemplo, maioria, minoria, pequena parte, grande parte,
metade, porção, etc., poderão ocorrer três circunstâncias:

a) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de qualquer restritivo: (ADJUNTO ADNOMINAL)

Nesse caso, o verbo ficará no singular, concordando com o coletivo, que é singular.

Ex.  A multidão saiu a rua para reivindicar.

       O bando sobrevoou a cidade.

      A maioria está está com notas baixas..

b) O coletivo funciona como sujeito, acompanhado de restritivo (adjunto adnominal) no plural:

Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.

Ex. A multidão
de trabalhadores saiu (saíram) as ruas.

      O bando de pássaros pousou (pousaram) no fio.

      A maioria dos alunos está (estão) com notas baixas.

c) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de restritivo, e se encontra distante do verbo:
     nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.

Ex.
A multidão, após o trabalho, saiu (saíram) as ruas.

      O bando, ontem pela manhã, pousou (pousaram) no fio.

      A maioria, hoje na escola, está / estão com notas baixas.

      Um milhão, um bilhão, um trilhão:

Com um milhão, um bilhão, um trilhão, o verbo deverá ficar no singular. Caso surja a conjunção e, o verbo ficará no plural.

Ex. Um milhão de pessoas assistiu à missa.

      Um milhão e cem mil pessoas assistiram à missa.

       Mais de, menos de, cerca de...

Quando o sujeito for iniciado por uma dessas expressões, o verbo concordará com o numeral que vier imediatamente à frente.

Ex.
Mais de um aluno faltou a aula.

      Menos de vinte professores chegaram na hora marcada.

      Cerca de quinhentos reais foram doados.

Quando Mais de um estiver indicando reciprocidade , o verbo ficará no plural.

Ex. Mais de um jogador se cumprimentaram após o jogo.

      Mais de uma pessoa se abraçaram emocionadas.


Nomes próprios no plural

Quando houver um nome próprio usado apenas no plural, deve-se analisar o elemento a que ele se refere:

a) Se for nome de obra, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.

Ex. Os Lusíadas imortalizou (imortalizaram)
Camões.

       Os Sertões marca / marcam uma época da Literatura Brasileira.

b) Se for nome de lugar - cidade, estado, país... - o verbo concordará com o artigo; caso não haja artigo, o verbo ficará no singular.

Ex.
Os Estados Unidos nunca viram uma explosão.

      Campinas é uma cidade encantadora.

      As Minas Gerais produzem muito leite.


Qual de nós / Quais de nós

Quando o sujeito contiver as expressões ...de nós, ...de vós ou ...de vocês, deve-se analisar o elemento que surgir antes dessas expressões:

a) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no singular (qual, quem, cada um, alguém, algum...), o verbo deverá ficar no
singular.

Ex. Quem de nós passará para a série seguinte?

      Quem de vós falará com ela?

      Cada um de vocês deve ser responsável por seus atos.

b) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no plural (quais, alguns, muitos...), o verbo tanto poderá ficar na terceira pessoa do plural,
quanto concordar com o pronome nós ou vós.

Ex. Quantos de nós irão ( iremos) ao casamento?

      Quais de vós teria (teriam) a coragem de perguntar?

      Muitos de vocês prefere (preferem) espanhol e inglês.


Pronomes Relativos

Quando o pronome relativo exercer a função de sujeito, deveremos analisar o seguinte:

a) Pronome Relativo
que: O verbo concordará com o elemento antecedente.

Ex. Fui eu
que paguei a conta.

      Fomos nós que pagamos ao garçom.

     Estes são os alunos que foram expulsos da escola.

b) Pronome Relativo
quem: O verbo ficará na terceira pessoa do singular ou poderá concordar com o antecedente.

Ex.  Fui eu
quem pagou a conta ao garçom. / Fui eu quem paguei a conta.

        Foste tu quem pagou a conta ao garçom. / Foste tu quem pagastes a conta

        Foi ele quem pagou a conta ao garçom. / Foi ele quem pagou a conta.

OBS. Na linguagem moderna os gramáticos já aceitam a concordância como o pronome
que.

      
Um dos ... que

Quando o sujeito for iniciado pela expressão Um dos que, deveremos analisar o seguinte:

a) É certo que o elemento é o único a praticar a ação:

O verbo ficará no singular. Por exemplo, a frase O São Caetano é um dos times paulistas que menos vezes foi finalista do brasileirão
tem o verbo no singular, pois é certo que, dos times de São Paulo, o São Caetano  foi menos vezes finalista do brasileirão- 2 vezes.

b) É certo que o elemento não é o único a praticar a ação:

O verbo ficará no plural. Por exemplo, a frase Falcão é um dos ex-jogadores de futebol que trabalham como comentarista esportivo
tem o verbo no plural, pois é certo que, além de Falcão, há outros ex-jogadores de futebol, trabalhando como comentarista
esportivo -  Júnior, Tostão, Rivelino...

c) Não se sabe se o elemento é o único a praticar a ação ou não: O verbo tanto poderá ficar no plural, quanto no singular. Por exemplo, a frase
São Paulo é uma das cidades que mais sofre
/ sofrem com a poluição. É facultativo, pois não há como medir se São Paulo é a que mais sofre,
ou se, além dela, há outras que sofrem tanto. Outra explicação também é a questão de se querer dar ênfase ao elemento: se se quiser enfatizar o
problema em São Paulo, coloca-se o verbo no singular.

Nenhum dos ... Que

Quando o sujeito for iniciado pela expressão Nenhum dos que, o primeiro verbo ficará no plural, e o segundo, no singular.

Ex.
Nenhum dos alunos que me procuraram fez a  prova.

      Nenhuma das crianças que chegaram à escola tem lápis e papel..

Sujeito pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento são pronomes de terceira pessoa, portanto tudo que se referir a eles deverá estar na terceira pessoa.

Ex.
Vossa Senhoria está passando bem?
      Vossa Excelência já escolheu o seu plano?

 Concordância irregular ou figurada - é a que se faz com a idéia subentendida, e não com o que está escrito na frase. Recebe o nome de silepse.

Silepse de Pessoa - ocorre quando a pessoa que fala ou escreve também participa do processo verbal.

Ex. Os brasileiros somos muito românticos.

Núcleos ligados pela conjunção "e"

a) Verbo após os núcleos:

Ficará no plural o verbo que estiver após o sujeito composto cujos núcleos sejam ligados pela conjunção e:

Ex. São Paulo e Rio de Janeiro são maravilhosos.
      Chico Buarque e Gilberto Gil estão entre os melhores compositores do mundo.

Obs.: Quando os núcleos forem sinônimos ou estiverem formando gradação, o verbo deverá ficar no singular.

Ex. "Um prefeito, um governador, um presidente, precisa de no mínimo cinco anos de mandato para realizar uma boa administração."
      "O rancor e o ódio não conduz a boa coisa."

b) Verbo antes dos núcleos:

Facultativamente ficará no plural ou concordará com o núcleo mais próximo o verbo que estiver antes do sujeito composto cujos núcleos
sejam ligados pela conjunção e:

Ex. É maravilhoso o Rio de Janeiro e São Paulo.

       São maravilhosos o Rio de Janeiro e São Paulo.

      É maravilhosa a cidade de São Paulo e Rio de Janeiro.  

     
Núcleos ligados pela conjunção ou

Quando os núcleos do sujeito composto forem ligados pela conjunção ou, deve-se analisar se há ou não exclusão, ou seja, analisar se um
elemento, ao praticar a ação, impede que o outro também a pratique.

a) Havendo idéia de exclusão: o verbo ficará no singular.

Ex. Paulo ou João casará com Maria..

b) Não havendo idéia de exclusão: o verbo ficará no plural

Ex. Brasil ou Uruguai participarão da Copa do Mundo.

a) Verbo antes dos núcleos:

Concordará com o núcleo mais próximo o verbo que estiver antes do sujeito composto cujos núcleos sejam
ligados pela preposição com.

Ex. Dará início à prova de matemática o coordenador com os professores .


Aposto resumidor / conectivos correlatos

O Aposto resumidor é normalmente representado por pronome indefinido (tudo, nada, ninguém, alguém, todos...)
ou por pronome demonstrativo (isto, isso, aquilo...), resumindo

o sujeito composto. O verbo, excepcionalmente, concordará com o aposto resumidor.

Ex. Brinquedos, roupas, jogos, tudo tinha naquela loja.


Um e outro / um ou outro / nem um nem outro

  Um e outro

Quando o sujeito for a expressão um e outro, o substantivo correspondente a ela ficará no

singular, o adjetivo no plural e o verbo facultativamente no singular ou no plural.

Ex. Um e outro aluno indisciplinados será punido.

       Um e outro aluno indisciplinados serão punidos.

      Um ou outro

Quando o sujeito for a expressão um ou outro, o verbo ficará no singular.

Ex. Um ou outro esteve aqui.

01) O verbo Ser:

a) Quando o verbo ser e o predicativo do sujeito forem numericamente diferentes (um no singular, outro no plural), o verbo deverá ficar no plural.

Ex. O vestibular são as esperanças dos estudantes.
      Tudo são flores, no início do casamento.

b) Se o sujeito representar uma pessoa ou se for pronome pessoal, o verbo concordará com ele.

Ex. Aline é as alegrias de seus avós.

c) Se o sujeito for uma quantidade no plural, e o predicativo do sujeito, palavra ou expressão como    muito, pouco, o bastante, o suficiente,
uma fortuna, uma miséria, o verbo ficará no singular.

Ex. Duzentos reais é muito, por esse produto.
      Trezentos gramas de carne é pouco.

d) Na indicação de horas ou distâncias, o verbo concordará com o numeral.

Ex. Era meio-dia, quando ele chegou.
      São duas horas.
     
É 1h58min.

e) Na indicação de datas, o verbo poderá ficar no singular, concordando com a palavra dia, ou no plural, concordando com a palavra dias.

Ex. É 1º de maio. = É dia 1º de maio ou É o primeiro dia de maio.
      É 15 de setembro = É dia quinze de setembro.
     
São 15 de setembro = São quinze dias de setembro.

02) O verbo Haver:

O verbo haver é impessoal, no sentido de existir, de acontecer ou indicando tempo decorrido; por isso fica na 3ª pessoa do singular - caso esteja
acompanhado de um verbo auxiliar, formando uma locução verbal, ambos ficarão no singular. Nos outros sentidos, concorda com o sujeito.

Ex. Havia um mês, nós estávamos na casa dos artistas.
      Poderá haver confrontos entre os Estados Unidos e Afeganistão.
     Os alunos haviam ficado revoltados.
  

 Haja vista:

A)
Com a preposição a: haver no singular; vista invariável;

Ex. Haja vista ao exemplo dado.
      Haja vista aos exemplos dados.

B) Sem a preposição a: o verbo haver fica no singular ou concorda com o substantivo; vista invariável.

Ex. Haja vista o exemplo dado.
      Haja vista os exemplos dados.
     
Hajam vista os exemplos dados.

O verbo Fazer:

O verbo fazer é impessoal, indicando tempo decorrido e fenômeno natural; por isso fica na 3ª pessoa do singular - caso esteja acompanhado
de um verbo auxiliar, formando uma locução verbal, ambos ficarão no singular. Nos outros sentidos, concorda com o sujeito.

Ex.
Faz quatro meses que não apareço por aqui.
      Faz 35º no verão, em Londrina.
      Deve fazer cinco anos que ele morreu.

05) Os verbos Dar, Bater e Soar:

Concordam com o sujeito, que pode ser:

A) o relógio, a torre, o sino...

Ex. O relógio deu quatro horas.
      O sino soou cinco horas.

B) As horas.

O numeral que marca as horas funcionará como sujeito, quando o relógio, a torre, o sino funcionarem como adjunto adverbial de lugar -
com a preposição em, ou quando  não aparecerem na oração.

Ex. No relógio, deram quatro horas.
      No sino, soaram cinco horas.
     
Bateram sete horas.


Partícula SE

O verbo na voz passiva sintética, construída com o pronome se, concorda normalmente com o sujeito. A maneira mais fácil de se comprovar
que a oração está na voz passiva sintética é passando-a para a voz passiva analítica: Alugam-se casas muda para Casas são alugadas.
Sempre que for possível essa transformação, o se será chamado de Partícula Apassivadora. 

Ex. Quebraram-se as vidraças. = As vidraças foram quebradas.
      Vende-se casa. = Casa é vendida.

 06) Índice de Indeterminação do Sujeito:

O pronome se, sendo índice de indeterminação do sujeito, deixa o verbo na terceira pessoa do singular. Haverá índice de indeterminação
do sujeito. quando surgir na oração verbo intransitivo, verbo transitivo indireto, verbo de ligação. 

Ex. Morre-se de fome no Brasil.
      Precisa-se de secretárias.
     Aqui se está satisfeito.